O primeiro e decisivo êxito de nossa vida foi nosso nascimento: Bert Hellinger e as constelações familiares

Quem consegue imaginar que nossa felicidade e o sucesso na vida e no trabalho poderiam sofrer a enorme influência do momento do nosso nascimento? E também dos momentos imediatamente subsequentes, como o primeiro movimento em direção à mãe, o primeiro contato, a primeira mamada? O alemão Bert Hellinger, filósofo, teólogo e psicoterapeuta, consegue. Não só imaginar, mas pesquisou profundamente em suas experiências com dinâmica de grupos, terapia primal, análise transacional e processos de hipnose terapêutica. Criador da abordagem sistêmica conhecida como Constelações Familiares, que desperta cada vez mais interesse no mundo e vem sendo adotada em diversos processos de terapia e auto-conhecimento, Bert afirma que o nascimento foi o primeiro grande desafio de nossas vidas, “pela primeira vez tivemos que demonstrar nossa capacidade de nos impor“. Uma capacidade que estipula as bases para diversas experiências futuras na vida de uma pessoa, inclusive o desempenho e sucesso no trabalho.

Autor de mais de 80 livros, Bert diz num deles, “Êxito na Vida, Êxito na Profissão” (Atman, 2010), no trecho transcrito abaixo, que nosso sucesso começa com essa primeira conquista e também com nossa mãe. E responde a perguntas que aparecem naturalmente, como: “Será mesmo que o nosso sucesso na vida mais tarde depende deste primeiro sucesso? Como as pessoas que vieram ao mundo através da cesariana, ou foram puxadas para a vida com um fórceps se comportam mais tarde?” Ele diz que essas experiências podem ser trabalhadas e ultrapassadas posteriormente, mas que precisam ser entendidas e recuperadas para podermos ir adiante.

O trecho segue abaixo, gentilmente sugerido pela amiga do blog, terapeuta e consteladora Joyce Doralice do Amaral Mattos, do Instituto Accordare.

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“ÊXITO NA VIDA, ÊXITO NA PROFISSÃO” [TRECHO]
Por Bert Hellinger (tradução Tsuyuko Jinno-Spelter)

“O Nascimento

O primeiro e decisivo sucesso em nossa vida é o nascimento. O seu êxito se dá melhor e mais consistentemente quando empurramos o caminho para a luz com o nosso próprio esforço, sem intervenção externa. Aqui tivemos que provar a nossa capacidade de ser assertivos e nos afirmar. Este sucesso continua a nos apoiar ao longo da vida. A partir desta experiência ganhamos mais tarde a força para nos afirmarmos com sucesso.

Eu já consegui ir tão longe? O que essa conquista tem a ver com o sucesso profissional? Será mesmo que o nosso sucesso na vida mais tarde depende deste primeiro sucesso? Como as pessoas que vieram ao mundo através da cesariana, ou foram puxadas para a vida com um fórceps se comportam mais tarde? Ou se elas vieram muito cedo e, em seguida, tiveram que  passar semanas ou mesmo meses em uma incubadora? Como agem em relação à autoconfiança e à assertividade? Claro que os efeitos destas experiências iniciais podem ser ultrapassados posteriormente, ao menos parcialmente. E nós também podemos ganhar forças especiais com elas mais tarde, como acontece com qualquer dificuldade ou fardo. Ainda assim, estes eventos apresentam limitações e se transformam em desafios capazes de serem superados por nós uma vez que suas raízes sejam compreendidas. Desta forma, podemos ser capazes de compensar o que foi perdido, ou mesmo recuperá-lo de alguma outra forma, muitas vezes com a ajuda de outros.


Ir ao encontro e tomar a nossa mãe

O próximo evento decisivo e o próximo sucesso é o movimento em direção à nossa mãe,  agora como contrapartida a nos oferecer o seu peito e a nos alimentar. Ganhamos a vida dela novamente com o seu leite, desta vez do lado de fora.  Qual é a qualidade do sucesso  aqui que nos prepara para os futuros sucessos, tanto na vida como no trabalho? Ao tomar a mãe como a fonte de nossa vida, com tudo o que flui através dela para nós, tomamos nossa própria existência; na medida em que tomamos a nossa mãe, aceitamos nossa vida como um todo. Este tomar é ativo. Precisamos sugar para seu leite fluir. Precisamos chamar para que ela venha. Precisamos nos alegrar com o que ela nos dá e mostrar isso ao mundo.  Através dela nos tornamos mais ricos.

Mais tarde na vida vemos que aqueles que tiveram sucesso pleno tomaram sua mãe exatamente assim, e tornaram-se felizes e vitoriosos. Em geral, como nos relacionamos com a nossa mãe é como nos relacionamos com a vida, incluindo aí a vida profissional. Se nós rejeitamos a nossa mãe, nós também rejeitamos a vida e o trabalho. E, na mesma medida, trabalho e a vida nos rejeitam. Seguindo este mesmo movimento, as pessoas felizes em relação à sua mãe amam o trabalho e a vida. E assim como sua mãe dá a elas cada vez mais, à medida que dela tomam com amor, com a mesma intensidade, sua vida e seu trabalho dar-lhes-ão sucesso.

Aqueles que têm reservas sobre suas mães, também têm reservas sobre a vida e a felicidade. Assim como suas mães se retiram deles como resultado de suas reservas e da rejeição, a vida e o sucesso se retiram também.

Onde nosso sucesso começa? Ele começa com a nossa mãe.

Como o sucesso chega a nós? Quando nossa mãe é bem-vinda e quando a honramos como nossa mãe, o sucesso chega.


O movimento em direção a nossa mãe

Para muitas pessoas há algumas vivências na tenra idade que bloqueiam o caminho para a mãe. Elas experimentam uma separação prematura de suas progenitoras, por exemplo. Talvez tenham sido esquecidas por algum tempo, ou suas mães estavam doentes, ou a própria criança estava doente e sua mãe não tinha permissão de visitá-la. Este tipo de vivência, doravante, resulta em uma mudança profunda em nossos sentimentos e comportamento. Através da dor da separação e do sentimento de estar perdido sem a mãe, o desespero de não ser capaz de estar com ela, ela, a quem precisamos tanto, uma decisão é tomada e diz, por exemplo: “Eu desisto”, “Eu permaneço sozinho”, “Eu mantenho distância dela”, ou “Eu fico longe dela”. Mais tarde, quando é permitido a esta criança que  vá até sua mãe, ela ou ele frequentemente se mantém distante. Esta criança pode não deixar sua mãe tocá-la novamente; ela se fecha para a mãe e para o amor. A mãe espera em vão e quando tenta chegar mais perto, para pegar seu filho em seus braços, a criança mantém a rejeição interna, e, frequentemente, também expressa seu repúdio.”

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Jornalista autor do Dharmalog, terapeuta na Hridaya Terapia (São Paulo) e proprietário do Dharma Office.

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