“Tudo o que Buda ensinou pode ser empiricamente verificado através de sua própria experiência”

Não só pode, mas deve. A máxima que “somos todos Budas” precisa que tudo seja experimentado e percebido por si mesmo – “si mesmo é o salvador da pessoa, pois que outro salvador poderia haver?” (Buda, Dharmapada, Ch.12.4).

A frase do título vem da boa explicação que o professor budista Kadam Morten Clausen, da Nova Tradição Kadampa, do mestre budista Venerável Geshe Kelsang Gyatso, deu num vídeo de 3min gravado para o projeto Big Think e que segue abaixo com legendas em português disponíveis através do controle do próprio vídeo (parte inferior). Numa das partes que não está no vídeo, Kadam explica que “na tradução investigativa Budista, entre as três reconhecidas fontes de conhecimento -a experiência, a razão e o testemunho – é a evidência da experiência que é a principal, com a razão vindo em segundo e o testemunho em último. Isso significa que, na investigação Budista da realidade, ao menos em princípio, a evidência empírica deveria triunfar sobre a autoridade escritural, não importa quão profundamente venerada uma escritura possa ser”.

Segue o vídeo:

Transcrição:

“Todo tipo de crítica ateísta da religião não está verdadeiramente endereçada ao Budismo visto que o Budismo é consagrado como uma ciência da mente. É baseado na observação da mente. E tudo o que Buda ensinou pode ser empiricamente verificado através de sua própria experiência. Em outras palavras, você pode testar. Na verdade, eu penso que é uma ciência muito interessante porque você é o cientista. Você não está apenas lendo sobre o que outros cientistas fizeram e, você sabe, confirmaram e assim por diante, mas você, você mesmo, é o experimentador. Você experimenta com sua própria mente. O que Buda disse, basicamente, é que podemos compreender através de nossa própria experiência que a felicidade advém da paz interior. E nós podemos explorar isso em nossas próprias experiências e observar, bem, isso é verdade, a felicidade advém da paz interior. E talvez ainda o mais importante, nós podemos também, então, estabelecer,” eu tenho capacidade para a paz interior em minha própria mente”. Na verdade, podemos até mesmo dizer que através do treinamento da mente, através da prática da meditação, você poderá notar que realmente não é difícil. Tudo o que precisamos fazer é aprender a abandonar nossos pensamentos infelizes, e nossa mente automaticamente torna-se pacífica.  Portanto, em outras palavras, você não tem que, tipo, tornar a sua mente pacífica, você só tem que abrir mão de seus pensamentos infelizes, seus pensamentos de raiva ou seus pensamentos ansiosos. E o que acontece por meio disso é que você em seguida, começar a sentir uma sensação de paz, uma profunda paz interior. E você pode verificar isso através de sua própria experiência. E através disso, então, você entrará em contato com seu próprio potencial para a paz ou outros estados mentais virtuosos, como amor, compaixão, alegria, bondade ou generosidade. Em outras palavras, você pode verificar através de sua própria experiência que é isso que acontece. O que nós então descobrimos é que a mente tem esta incrível capacidade de profunda paz ou, poderíamos dizer, de amor sem limites, de bondade sem limites. É aí que encontro um equívoco com – você sabe, como estão chamando-os, o “novo ateísmo”. Simplesmente porque eu não acho que eles estão prestando atenção suficiente à ciência da mente através da qual nós podemos estabelecer, por assim dizer, uma ciência alternativa, mas é igualmente, verificável empiricamente que existe uma dimensão espiritual em nosso ser que você pode descobrir através de sua própria prática, de fato, isso existe é isto, sim, você pode falar de um elemento divino em nossa natureza porque descobrimos que a mente tem esta capacidade de amor sem limites, compaixão sem imites alegria sem limites.”
~ Kadam Morten Clausen, no Big Think

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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

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