“Seus pensamentos estão tão fora de você quanto as árvores estão fora do seu corpo”, Carl Jung

Eu: “O pensamento foi longe demais pra mim, e eu evito idéias rebuscadas.  São perigosas, já que sou um humano, e você sabe quanto os humanos estão acostumados a ver pensamentos como eles mesmos, por isso que confundem com si mesmos.”

 

Elijah: “Você então vai confundir você mesmo com uma árvore ou animal, porque você os olha ou porque você existe com eles neste mesmo mundo? Você deve ser seus pensamentos, porque você está no mundo dos seus pensamentos? Mas seus pensamentos estão tão fora de você tanto quanto as árvores e os animais estão fora do seu corpo.”

 

~ CARL GUSTAV JUNG (1875-1961), “The Red Book” (Footnote 188).

Há uma extensa bibliografia de ensinamentos nesse campo da não-identificação (ou talvez desidentificação?) com os pensamentos, de Sri Ramana Maharishi ao próprio Buda, mas que de nada adianta sem a percepção própria de que somos de fato diferentes e separados dos pensamentos que nos ocorrem – ou que nós “temos”. Mesmo que em algum grau tentem corresponder à realidade, mesmo que em algum grau traduzam uma intenção ou um sentimento, eles não possuem a priori nenhuma veracidade sobre um ser nem são este ser inteiro em seu etéreo e breve intervalo de manifestação. Estão (por assim dizer) no ambiente interior do ser, mas são coisas externas, como cita Jung nesse trecho de seu “Livro Vermelho” (The Red Book, 1914-1930).

Obs.: O “Eu” inicial do trecho se refere ao próprio Jung, que representa a si mesmo no diálogo, e Elijah é um imaginado velho profeta que se torna um guia espiritual.

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Jornalista autor do Dharmalog, terapeuta na Hridaya Terapia (São Paulo) e proprietário do Dharma Office.

7 Comentários

  • Grandes pensadores fazem-nos refletir sobre nós mesmos, quem somos, de onde viemos, o que aqui fazemos, quais as nossas diretises, para onde vamos. Não temos muita das respostas e tão pouco nos entendemos, fico surpreso quando alguem consegue nos definir, pois ai nos limitamos e com toda certeza limite é o que não temos, nossa dimensão tende ao infinito, assim cada vez que tenho a oportunidade da informação(reflexão) vinda deste fico mais convencido que não temos dimensão, menos sabemos quem somos, por mais que tentemos a nada chegamos, fico com nosso irmão SOCRATES, tenho a certeza que quanto mais sei de nada sei. Obrigado

  • CADA SER HUMANO TEM A SUA VERDADE! EIS, OS MOTIVOS DO GRANDE CAOS SOCIAL. É CHEGADO O TEMPO DE PENSARMOS EM HARMONIZAR AS NOSSAS MAZELAS E CAMINHARMOS PARA UMA OLHADA MAIOR. SOMOS IRMÃOS , MESMO QUE VC. NÃO O QUEIRA; NASCEMOS NO MESMO PLANETA TERRA! VC. JÁ HAVIA PENSADO NISSO? NAMASTE.

  • Os pensamentos são imagens oriundas da natureza da mente.
    O conteúdo do pensamento resulta do contato do estímulo sensorial com os condicionantes existentes na história pessoal (ego).

    • Os pensamentos são os movimentos do conhecimento. Se dissermos que eles são outra coisa diferente disso, estamos perdidos. O conhecimento é o resultado das nossas experiências e, não precisa dizer que ele teve início no começo do funcionamento do cérebro. O conhecimento é o resíduo das experiências e desafios e, uma vez acumulados esse registros (chamem também de marcas ou feridas) podemos chamá-los de passado. Os pensamentos são como um ponteiro que aponta a todo momento, como que, na superfície deste mar, o conhecimento. E podem chamar este volume de conhecimento de mar do inconsciente. O ponteiro, ou pensamento, que aponta o tempo todo, são como uma lente a flutuar neste mar, nas paginas do grande livro inconsciente. Isso mesmo. Este grande livro é inconsciente, aliás, o pensamento, ou ponteiro, ou telinha mental, viaja como que livremente, mas, não é livre, de fato, porque está sempre se movimentando dentro dos limites do conhecido. E não pode ser jamais diferente por que ele mesmo faz parte do limitado. Em resumo, seu movimento só cessa quando acontece um clarão, uma visão, sendo essa visão o seu próprio fim.

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