A diferença entre vontade e desejo é grande, embora pareçam semelhantes: a visão de Osho [VÍDEO]

Osho, você pode explicar a diferença entre vontade (will) e desejo (desire)?” A pergunta feita ao filósofo e guru indiano Bhagwan Shree Rajneesh, o Osho (1931-1990), num encontro em 1987, vem de uma confusão comum que temos, pois se o desejo puder ser controlado ou extinto, como o ser humano se moveria na vida? A resposta seria pela vontade consciente, ou “will“, uma espéçie de motivação natural humana que, como Osho explica no vídeo abaixo (8min, legendas em português), é “simplesmente a própria força da vida que quer se afirmar em sua plenitude, em sua totalidade, para trazer todas as flores que estão escondidas em você”. O tema não é tão simples porque, no fundo, também é um esforço de distinção entre dois conceitos que se parecem – e além disso, apesar da palavra “desire” em inglês ser facilmente traduzida por desejo, “will” tem algumas variações, e além de vontade pode significar a força da intenção, a determinação, a escolha consciente, o propósito, ou uma mistura de partes destes conceitos.

Em outro trecho deste mesmo discurso, que não consta no vídeo mas que é a sequência da mesma resposta (está contida no capítulo 5 do livro “The Golden Future“, páginas 47 e 48), Osho resume dizendo que “seus desejos não lhe permitirão que você seja simplesmente você mesmo, que você seja exatamente seu destino” — no sentido do “se tornar” que uma semente passa para virar uma árvore — enquanto “vontade é a inclinação para preencher o destino“. Isso poderia ser traduzido também como o desejo sendo uma promessa e projeção mental da plenitude em algum momento futuro, onde parece haver uma perda substancial do agora, enquanto a vontade seria a manifestação de uma força de plenitude no presente.

Algumas leitores adicionaram comentários no post anterior do Osho sobre o desejo (veja aqui) que ajudam a esclarecer a questão e valem a pena ser lidos, como os do Adilson, do Luis, do “Misterkey” (que transcreveu um trecho de Eckhart Tolle) e de Antonio Luiz Rodrigues Pinto. O próprio vídeo veio de uma recomendação do leitor identificado como “Critico“, a quem agradeço pela sugestão.

Segue o vídeo (para ativar as legendas, use o controle na parte inferior):

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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

6 Comentários

  • Saudações a todos,

    “(…) As árvores representam a vontade da Terra. A Terra está tentando chegar mais alto dos que as estrelas, e um dia vocês verão que a Terra conseguiu. Isto é apenas o começo, e é por isto que você não vê árvores tão altas. Mas eu consigo ver lá longe no futuro”.

    Osho fala metaforicamente. Suas palavras enigmáticas não podem ser compreendidas de forma literal.

    A Terra física é tão pequenina e insignificante comparada aos Cosmos!

    No entanto, as estrelas, tão gigantescas e distantes de nós, são pequeninas diante da Potencialidade Infinita do Ser.

    Não podemos rebater cientificamente, a hipótese de que possa haver infinitos Universos dentro de cada átomo ou de cada partícula subatômica de matéria física!

    Procuro não me perder em especulações metafísicas, mas por analogia, considero a hipótese de que somos Sementes de “Deus” que ainda nem sequer germinaram. Todo o esforço e sofrimento que experimentamos, pessoal e coletivamente, talvez, seja apenas a materialização do “Milagre” do romper da “Casca Desta Semente”.

    A “Casca” protege o Núcleo da Semente enquanto o Mistério da Vida está sendo “preparado” para manifestar-Se em cada “Plano de Existência”.

    Posteriormente, quando as condições externas favoráveis estão “presentes”, estando a Semente “madura”, a Casca mostra-se como um obstáculo que a Essência da Vida que está no Núcleo da Semente precisa vencer com o Poder da Sua Vontade e com muito esforço. A resistência que a Casca opõe ao Germe da Semente é necessária para “testar” e “preparar” a Semente para os inúmeros desafios que o Novo Ser terá que enfrentar no meio “desconhecido e hostil” que lhe aguarda.

    Por outro lado, as próprias condições exteriores adversas enfraquecem a Casca para facilitar a germinação da Semente.

    A Vontade está ligada à germinação. Não vejo isto como algo automático e inevitável, mas como uma Dádiva e um privilégio que inclui uma escolha venturosa, ainda que natural. A Casca poderia representar os “DESEJOS” de proteção (e bem estar) que precisam ser “superados e transcendidos” para que o desabrochar da Vida possa acontecer para o Novo Ser.

    Esta é apenas uma das maneiras de colocar em palavras compreensíveis, o que está além dos limites da capacidade de compreensão da nossa mente comum. Seu alcance é limitado, mas pode ajudar a alargar os nossos horizontes de possibilidades.

    O Germe em nós, talvez esteja apenas aguardando a nossa Vontade para decidir superar os desejos de proteção e segurança que a Casca da Semente nos proporciona, e então, intensificar os esforços para abandonar o ambiente conhecido, mas escuro e limitado em que nos encontramos , e romper a Casca, libertando as Infinitas Potencialidades contidas na Vida que nos Contém!

    “Verdades ‘superlógicas’ somente com Intuição Mística se alcançam!”

    Agradeço por sua preciosa atenção!

    Namastê!

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