Sobre lógica, medo, compaixão e sintonia com o universo: a visão do autor de “The Dude and the Zen Master”

O seguinte diálogo é um trecho da entrevista que o instrutor de meditação Robert Piper fez com o mestre Zen Bernie Glassman, autor do livro “The Dude and The Zen Master, em parceria com o ator americano Jeff Bridges e lançado na semana passada nos Estados Unidos. Publicada na íntegra no site Elephant Journal, a pauta da entrevista inclui a relação do ser humano com sua idéia de “agir”, o predomínio da lógica Aristotélica no mundo ocidental e a compaixão sem medo.

Segue o trecho:

Você fala de um assunto no livro que é o universo dando sempre uma abertura a nós.

O universo está sempre fazendo isso. Podemos achar que estamos agindo, mas na verdade o universo está agindo e nos atraindo para a ação, e nossas ações aparecem disso.

 

Você fala em estar mais sintonizado com isso.

Isso certamente é a prática da meditação que é parte dessa idéia. Há diversos tipos de prática em muitas tradições para nos colocar em sintonia com o universo. Para que possamos rezar e improvisar com isso.

Uso a metáfora da banda de jazz – primeiro você afina, se junto, e então começa a improvisar. Você nunca sabe o que alguém vai fazer, para então você criar grande música.

 

Você também fala no livro sobre como o Ocidente é tão confinado à lógica Aristotélica.

Sim, há diferentes sistemas de lógica que apareceram em diferentes partes do mundo. A sociedade ocidental é majoritariamente baseada na lógica Grega. Na Ásia, há sistemas diferentes de lógica, sistemas que tende a mudar o modo que pensamos.

Escolhemos um outro sistema de lógica e podemos chegar a algo completamente diferente, e isso acontece na ciência. As coisas vão acontecer e de repente o sistema lógica que tínhamos não funciona.

Um exemplo é a luz – foi descoberto que a luz é ao mesmo tempo uma partícula e uma onda.

Agora a lógica Aristotélica diz: mas isso não pode ser. Você é um ou outro. A lógica asiática diria que você pode ser ambos.

 

Gosto da parte do livro onde você diz, ‘As pessoas ficam estagnadas frequentemente porque tem medo de agir; no pior cenário, como no caso do caso do jogador de boliche experiente, nós ficamos tão apegados a algum resultado que não conseguimos funcionar. Precisamos de ajuda para nos mover, só que a vida não espera”.

Acho que muitos dos nossos problemas neste mundo são parte desse conceito; o medo é uma coisa imensamente poderosa.

Claro, e pessoas tem usado o medo para controlar as massas, para conseguir que você faça o que eles querem.

 

Você sabe, vejo muitas pessoas que não agem compassivamente porque o processo de pensar delas é baseado no medo. Elas tem todos esses pensamentos, “Se eu eu der isso a essa pessoa, ela podem me trair”, “Se eu fizer algo por ele, a longo prazo, posso me dar mal”.

O alfabeto chinês tem ideogramas para as palavras, e a palavra “compaixão” consiste de dois ideogramas, um sendo basicamente “compaixão” e o outro sendo “a eliminação do medo”.

Isso deveria ser uma grande parte da prática dos mestres Zen, ajudar os estudantes a eliminar o medo.”

~ “The Dude & the Zen Master: An Interview about Making the World a Better Place”, em Elephant Journal

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Imagem editada da capa do livro “The Dude and The Zen Master”.