“Numa mente quieta, respostas condicionadas são expostas e destruídas”: Gangaji e o propósito de meditar

Trecho do livro “Tu És Aquilo” (You Are That!, 1995), pags 18 e 19, da autora e professora Gangaji, ou Antoinette Roberson Varner, discí­pula de Papaji, ou Hariwansh Lal Poonja (1910-1997), sobre a meditação:

Pergunta: Pode dizer o que você considera ser verdadeira meditação?
Gangaji: O propósito da meditação é aquietar a mente. Numa mente quieta, respostas condicionadas são expostas e destruídas. Meditação permite a mente soltar-se da fixação nos objetos e descansar na fonte. A mente quieta revela aquilo que está sempre silencioso, de onde tanto a atividade como a inatividade provêm e retornam, de onde a experiência de ignorância e a experiência de iluminação provêm e retornam. Isso é o teu Ser. Muitas vezes o que é chamado de meditação é prática de concentração. Como a terapia, exercícios respiratórios e outros yogas, a concentração pode ser útil. Tem o seu lugar. Agora, descubra o que está além da concentração. Descubra o que não é objeto de concentração mas é consciência silenciosa em si. Não sou contra a meditação e sua prática. Sou contra a separação da prática meditativa da vida. Quando a separação entre a prática e a vida é reconhecida como ilusória, toda a tua vida é meditação. Vida é consciência silenciosa e todos os eventos da vida aparecem e desaparecem nesse silêncio. Tu és esse silêncio.
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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

2 Comentários

  • “Todas as vezes que eu abro meus olhos, eu convido o mundo a tomar forma.
    Todas as vezes que o mundo toma forma, eu sou convidado a abrir meus olhos.”

    http://youtu.be/xJRXvgfm1D8

    Every time I Open My Eyes

    I invite the world to take shape

    And every time the world takes shape

    I‘m invited to open my eyes

    (…)

    Rupert Spira

    Eu ando repetindo bastante o acima. E foi (ainda) sentindo a cadência das palavras que pensei: se fosse um objeto, as palavras da lindamente colorida Gangaji (a cujo timbre de voz, já teci louvores num post anterior), o que seria?

    Meu cérebro trouxe-me uma resposta. Seria um objeto que habitava as paredes da casa do caseiro do sítio da uma tia. Um tipo de artefato primitivo que media a umidade do ar (acho eu!). Uma casinha de madeira com 2 bonequinhos: 1 menino e 1 menina.

    Quando um saia o outro se recolhia (e sumia) para o interior da casa.

    ♥♥♥

    “Agora, descubra o que está além da concentração.”

    A casinha = A consciência silenciosa em si

    o menino = o ruído da vida cotidiana (exp. da ignorância)

    a menina = meditação – a prática da concentração (exp. da iluminação)

    (ou vice-versa – os bonequinhos)

    ♥♥♥

    “Sou contra a separação da prática meditativa da vida.”

    (eu aos 5 anos queria botar as mãos na casinha mais que pegar nos cachorrinhos)

    E aí eu fiz uma grande descoberta: Os ‘meninos’ eram uma peça só (ou eram colados em um outro pedacinho de madeira, formando um bloco só, preso por sua vez, à casinha). Quem conhece esse tosco barômetro, sabe do que eu estou falando.

    Meditar e viver = mesma origem

    “Vida é consciência silenciosa e todos os eventos da vida aparecem e desaparecem nesse silêncio.”

    “Tu és” (essa casinha) “esse silêncio”.

    Fiquem bem e Boa Sorte,

    Norma

  • Engraçado que é exatamente isso que percebo. Temos muito automatismo em nossa mente, e a meditação de fato nos ajuda a ver quais são eles e começar a ter a possibilidade de agir modificando-os.

    Tem vezes que parece que a prática está indo mal, pois nossa mente parece estar mais barulhenta do que nunca. Mas isso é progresso, pois a mente está sendo capaz de tomar consciência do quão barulhenta ela sempre foi. Esse é um dos primeiros passos.

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