A conexão entre falta de atenção e síndromes como distúrbios de alimentação, depressão, abusos e ansiedade, TED Talk [VÍDEO]

Até agora a maioria dos estudos e descobertas relacionadas à atenção são interpretadas como uma maneira de conquistar equilíbrio e a felicidade — como na pesquisa dos psicólogos de Harvard publicada aqui no final de fevereiro (Mente distraída é mente infeliz: psicólogos de Harvard conectam estado de infelicidade à divagação mental). Mas o que a professora de Psiquiatria e Comportamento Willoughby Britton, da Brown University, chamou a atenção nessa palestra no TEDxBrownUniversity, foi a forte ligação que a falta da atenção tem com muitos dos maiores distúrbios psíquicos que conhecemos. “Não só a depressão, que eu estudo, mas também esquizofrenia, abuso de substâncias, distúrbios de alimentação, ansiedade e, claro, TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), quanto mais houverem os problemas com a atenção, mais esses distúrbios ocorrerão“, diz Willoughby.

O descontrole de atenção está conectado, por sua vez, a uma baixa atividade no córtex pré-frontal, que a professora não conecta com uma fraqueza possivelmente inata (genética), mas ao seu pleno desenvolvimento ou não. Sem atividade suficiente no córtex pré-frontal, o sistema límbico, que controla as emoções, fica à deriva.

A palestra completa, onde ela trata de outros assuntos que ligam o trabalho do cérebro com o equilíbrio psíquico e à felicidade, segue no fim deste post, em inglês.

Abaixo, a tradução para o português do trecho onde ela fala a respeito da conexão entre a falta de atenção e os distúrbios psíquicos citados.

“Neurocientistas clínicos também descobriram uma conexão entre atenção e felicidade. As áreas do seu cérebro, da parte frontal do cérebro, chamadas córtex pré-frontal, que está relacionada com a atenção, tendem a estar com menos atividade em todas os tipos de síndromes clínicas. Então não só a depressão, que eu estudo, mas também esquizofrenia, abuso de substâncias, distúrbios de alimentação, ansiedade e, claro, TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade). Então quanto mais houverem os problemas com a atenção, mais essas coisas, mais esses distúrbios ocorrerão, veremos um fraco córtex pré-frontal e problemas com atenção. Agora isso é importante porque o córtex pré-frontal tonicamente modula ou inibe o sistema límbico, que é nosso sistema emocional. Então se você tiver um fraco sistema de atenção, não haverá nada que você… suas emoções serão reativas. E um exemplo muito bom dessa síndrome, que em neurociência é chamada de ‘hipofrontalidade’, que significa ‘não ter suficiente na cabeça’ (fazendo gesto sobre a testa) é a adolescência. Então na adolescência o sistema límbico está girando a todo vapor, muitas paixões, muitas emoções, e nenhum córtex pré-frontal para limitar isso, porque ainda não foi completamente desenvolvido, não até talvez quando você sair da faculdade, talvez você tenha algum controle. Então, literalmente, as emoções estão fora de controle. E acho que todos lembramos nossa adolescência, e não são quanto a vocês, mas não foi particularmente uma época feliz”.
~ Willboughby Britton, no TEDxBrownUniversity

Abaixo, o vídeo da palestra na íntegra (16min52seg):

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Jornalista autor do Dharmalog, terapeuta na Hridaya Terapia (São Paulo) e proprietário do Dharma Office.

3 Comentários

  • Assisti lendo as legendas. (som do PC está 1/2 boca). A intenção segue à atenção. Vc. pode treinar a sua mente (criar hábitos mentais), praticar para se tornar as pessoas que vc quer ser (ou ter as qualidades que admira em 3ºs). Ela citou (tipo:compaixão, paciência, perseverância) qualidades trabalhadas no Budismo e encerrou citando Gandhi, como possível de ser realizado. Gostei.
    Norma

    Treinei bastante a paciência durante a palestra: a legenda reproduziu cada *uh…uh…* feito por ela. E foram muitos. Depois do oitavo, parei de contar. ;)

  • Assisti, simplesmente. A mente é puro condicionamento: O que você É, profissão, nome, e coisas assim. Como se treinar a mente ilusória, para que seja, digamos, compassiva? Somos o que está além da mente, a vacuidade por trás dela, se preferirem; um “Eu” ilimitado, este sim, cheio de compaixão, porque não tem o que reagir a ele, é UNO com tudo.Talvez seja uma questão de des-treinar a mente. Lin de Varga

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