Ilusão, uma parábola da vida do homem perdido na felicidade temporária do desejo, por Narada Mahathera

A história abaixo é contada pelo venerável monge budista cingalês Nārada Mahāthera (1898-1983), um dos mais populares mestres de Budismo Theravada do Sri Lanka, no livro “The Buddha And His Teachings“, e é uma maneira de explicar o conceito do “samsara”, e da vida nos ciclos de desejo, nascimento e morte, segundo os preceitos do Buda. O trecho faz parte do Capítulo 34 do livro, intitulado “Characteristics of Nibbâna“, ou “Características do Nirvana”. – que, Nārada Mahāthera explica no capítulo anterior, é “o fim do desejo”, em contradição direta com os ciclos do Samsara.

“O Nirvana é a felicidade suprema””
~ Buda, no Dharmapada

Nārada Mahāthera diz, antes de contar a pequena história: “A seguinte linda parábola ilustra apropriadamente a natureza transitória da vida e de seus sedutores prazeres”.

Segue o trecho.

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ILUSÃO (de “Buddha and His Teachings”)
Por Nārada Mahāthera

“Um homem estava tentando entrar em uma densa floresta por um caminho cheio de espinhos e pedras. De repente, para sua grande surpresa, um elefante apareceu e começou a persegui-lo. Ele se mandou com medo, e vendo um poço, correu pra se esconder nele. Mas para seu horror, uma víbora estava no fundo do poço. Mas, sem outra maneira de escapar, ele pulou no poço, e se agarrou numa trepadeira espinhosa que estava crescendo nas paredes do poço. Olhando pra cima, ele viu dois ratos – um branco e um preto – roendo a trepadeira. Acima de seu rosto havia uma colméia de onde caíam algumas gotas de mel.

Esse homem, tolamente inconsciente de sua posição precária, estava avidamente saboreando o mel. Uma pessoa gentil se prontificou a mostrar-lhe um jeito de escapar. Mas o homem ávido pediu para que ele pudesse terminar de saborear o mel.

O caminho espinhoso do Samsara, o oceano da vida. A vida do homem não é uma cama de rosas. É cheia de dificuldades e obstáculos para ultrapassar, com oposição e crítica injusta, com ataques e insultos para suportar. Esse é o caminho espinhoso da vida.

O elefante aqui se assemelha à morte; a víbra, à velhice; a trepadeira, ao nascimento; os dois ratos, à noite e ao dia. A gota de mel corresponde aos prazeres sensuais passageiros. O homem representa o chamado “ser”. A pessoa gentil representa o Buda.

A felicidade material temporária é meramente a gratificação de algum desejo. Quando a coisa desejada é ganha, outro desejo aparece. Insaciáveis são todos os desejos.

‘A tristeza é essencial à vida, e não pode ser evitada.
O Nirvana, ser não-condicionado, é eterno, (dhuva), desejável (subha) e feliz (sukha)…'”

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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

7 Comentários

  • É curioso como a mesma história, com ligeiras modificações, pode servir para ilustrar ensinamentois diferentes. Na tradição Zen Budista há um conto no qual um homem se encontra agarrado a uma trepadeira na beira de um precipício. Por cima e por baixo dele encontram-se dois perigosos animais selvagens e a trepadeira está a ser roida por dois ratos inconvenientes. Ao seu lado está pendente um ramo donde brotam dois apetitosos morangos. Apesar da precariedade da situação e da morte eminente, o homem liberta uma das mãos, colhe um morango e levando-o à boca exclama: “Que morango delicioso!” A história pretende ilustrar a atitude do sábio para quem não existe o desespero e o tempo, e sempre vive no presente.

  • sagrada e a vida. Os momentos sao flashs de sensacoes diversas impulsionadas pela trajetoria por aonde se passa no cotidiano,
    Mas sempre da para melhorar a cada instante que se vive basta o querer. Facil precisamos saber se queremos: noite e ou dia;

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