“Sonhadores lúcidos” ajudam cientistas a descobrir o conteúdo nos sonhos

O território das pesquisas sobre a mente e de como ela pode ser controlada mesmo no estado de sonho galgou mais um passo num estudo científico realizado mês passado na Alemanha: pesquisadores do Instituto Max Planck de Psiquiatria, de Munique, conseguiram pela primeira vez registrar a atividade cerebral realizada em sonhos e compará-la com cenas da vida real, graças à habilidade dos chamados “sonhadores lúcidos“, pessoas que tem a habilidade de controlar a experiência enquanto sonham. Usando escaneamento por ressonância magnética (MRI) e eletroencefalogramas de 6 pacientes em estado de sonho (REM), os pesquisadores requisitaram aos pacientes que imaginassem determinadas “ações” assim que iniciassem o sonho e os resultados conseguiram identificar a similaridade dos conteúdos sonhados “propositalmente” com as ações reais, segundo o relato do Instituto.

“O principal obstáculo do estudo do conteúdo específico de sonhos é que a atividade espontânea do sonho não pode ser experimentalmente controlada, porque as pessoas normalmente não consegue realizar ações mentais decididas previamente durante o sono,” diz o pesquisador Michael Czisch ao site LiveScience. “Poder usar a habilidade do sonho lúcido vai nos ajudar a vencer esses obstáculos.”

Os detalhes do estudo podem ser conhecidos no press release do Instituto Max Plank, “Scientists measure dream content for the first time“.

Apesar de estar sendo alvo das primeiras pesquisas sérias sobre o assunto na última década, e de ser reconhecido cientificamente apenas no final do século passado, o “sonho lúcido” não é novidade para escolas de sabedoria orientais, principalmente o Yoga e o Budismo Tibetano. Além do próprio Buddha Shakyamuni ter discorrido muito a respeito dos sonhos, as técnicas de sonho lúcido, ou “dream yoga”, são descritas em detalhes há mais de 1.000 anos e incluem a doutrina do lama Marpa Lotsawa (1012–1097) e seu discípulo Milarepa (1052-1135). O sonho lúcido é similar mas diferente em natureza da chamada “projeção astral“, cujo conceito não incluiu imagens produzidas pela mente, mas a experiência da mesma realidade física em um outro corpo mais sutil (astral), geralmente em estado de sono. A projeção também é um conhecimento ancestral e encontrado na Índia no início do milênio passado, no Yoga Vasistha (séc XI-XIV), e também comentado por mestres mais modernos como Paramahansa Yogananda e Meher Baba.

//////////

Foto por Emma B1ind1.

Assuntos desse conteúdo
,
Escrito por

Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo capital.

2 Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *