Tempo de conectar, tempo de desconectar: questões da vida na era da hiper-conectividade (VÍDEO)

Há alguns dias li um post da Britt Bravo (“Have Fun Do Good”) intitulado: “Desconectar-se é o novo verde?” (Taking Back Your Time: Is Unplugging the New Green?). Uma semana depois li uma matéria no The New York Times que falava sobre “tech overload” (sobrecarga de tecnologia) com o título “Para os conectados, há escolhas demais“. E um dia depois de lê-la, recebo de uma grande amiga do blog a indicação de uma matéria da revista Elle, edição brasileira: “Unplugged: você consegue se desconectar?“. Será que estamos vivendo uma segunda onda de overdose de informação que, agora, com smartphones, banda larga barata, Twitter, Facebook, netbooks, Ipads e wifi por todo lado, também é uma overdose de conexão? A realidade da conexão virtual permanente não era uma promessa boa?

Há alguns meses a Microsoft apostou exatamente nesse conceito para tentar colocar seu novo Windows Phone à frente dos concorrentes (Iphone e Android): “É hora de um telefone nos salvar dos nossos telefones“. Apesar de ser mais um slogan do que uma proposta realista de seu smartphone, é interessante apostar na simplificação da conexão. Veja um dos anúncios (obs: este blog não tem qualquer ligação com a Microsoft nem endossa nenhum dos seus produtos, a citação abaixo é apenas ilustrativa):

Principal vídeo:

Versão alternativa:

Algumas pessoas dizem que o problema é da tecnologia, talvez por não saberem lidar direito com os avanços sempre acelerados e com a conectividade onipresente. Outros dizem que o problema é como nós usamos a tecnologia, dizendo que se há algum mal nisso, somos nós que o provocamos, não a máquina ou as conexões. Talvez os dois pontos de vista sejam válidos: enquanto a tecnologia não é exatamente imparcial, pois ela é sempre projetada de uma determinada maneira (já discutimos isso aqui, como por exemplo a predominância do botão “curtir” do Facebook, que gera um determinado tipo de “mono-uso” dos conteúdos), por outro lado somos nós os responsáveis por vivermos obcecados com emails ou com as luzes vermelhas piscantes do Blackberry ou com as atualizações minuto-a-minuto das redes sociais.

O post da Britt Bravo, citado acima, não é só uma opinião dela, mas uma impressão de ser uma tendência. Ela diz: “Talvez seja por causa do verão, mas ultimamente tenho ouvido cada vez mais pessoas falando em passar menos tempo online. Abaixo (lá no post dela) há uma coleção de artigos e posts sobre o que eu acho que é uma nova tendência cultural: desconectar-se“.

Do meu ponto-de-vista, o que parece é um uso muito frequente e sem senso de prioridade dos aparelhos e das conexões disponíveis. Mas acho que podemos facilmente aprender isso (se quisermos). De uma certa maneira, é natural que vivamos uma espécie de obsessão, pois nunca experimentamos uma realidade onde houvessem todas essas possibilidades: consultar o trânsito a qualquer hora, ver onde estão os amigos, receber uma mensagem em qualquer lugar, checar o tempo, responder um email no ônibus ou no táxi, fazer o check-in de vôos pelo celular, etc.

O problema não seria, então, se aproveitar desses benefícios, mas o de viver os momentos que a vida nos proporciona com a noção que a conexão é apenas um auxiliador virtual. Um grande auxiliador, às vezes. Mas também saber que, além da lua cheia no céu que consegue chamar bastante nossa atenção, outras coisas existem e fazem parte da vida: o vizinho, o porteiro, o vento, o silêncio, as pessoas passando, qualquer coisa passando, a conversa não tão interessante, o frio, a chuva, enfim, sentir as conexões naturais que temos com nosso redor.

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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

5 Comentários

  • Esse assunto é muito interessante. Eu gostaria de incluir um ponto para reflexão. Culpamos as tecnologias pois hoje em dia parecemos muito mais ocupados do que antes. No entanto essas tecnologias foram criadas inicialmente para facilitar a nossa vida e nos fazer ganhar tempo. Mas o que nós fazemos com o tempo que teoricamente ganhamos? Por exemplo. Ao fazer uma viagem de avião, precisávamos chegar com pelo menos uma hora de antecedência para fazer o chek-in. Como hoje podemos fazer o check-in via celular, deixamos para fazê-lo no táxi a caminho do aeroporto e chegamos em cima da hora. Assim, em vez de aproveitarmos essa uma hora que “ganhamos”, escolhemos fazer um monte de outras coisas e nos ocupamos ainda mais. Fico portanto com as seguintes questões. O problema está na tecnologia ou na forma como escolhemos usá-la, e não importa quanta tecnologia nos é oferecida, vamos sempre nos super ocupar e dedicar pouco tempo ao próximo? Hoje culpamos essas novas tecnologias, mas será que mudamos tanto assim por causa delas ? Será que nesse mundo moderno que vivemos não fomos sempre distantes assim e apenas não era tão evidente? O que se esconde verdadeiramente atrás do afastamento que criamos entre nós e os outros?

    • Excelente ponto, Rita. Não tenho uma resposta pronta, mas tenho essa mesma sensação de que nós entulhamos nossos dias com compromissos demais, agenda demais, um desejo de fazer tudo e não perder nada. A mente da escassez. Porque queremos que a tecnologia e a conexão “abram espaço” pra mais coisa. E mais.

      Sobre “dedicar tempo ao próximo”, tenho dúvidas se nossa humanidade ainda sabe o que é isso. Temos muito que andar nesse quesito, nós e nossa tecnologia.

      Boas reflexões.

  • Obrigada por compartilhar conosco este tema e nos levar à reflexão. O dia está apenas começando. É uma ótima oportunidade para focarmos em nossas atividades sem excessos e atentarmos para as conexões naturais ao nosso redor, ótimo exercício para contemplarmos o “estar vivo”.

    Abraços a todos!

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