“Sem abrir o coração, permanecemos estranhos à nós mesmos”, por Tarthang Tulku

Trecho do livro “Gestos de Equilíbrio”, do lama tibetano Tarthang Tulku, capítulo “Abrindo o Coração” (págs 40-41), onde ele fala da importância de integrar mente e coração, ações e intuições, porque só assim “encontramos um significado genuíno em nossa vida”. Esse trecho lembra um pouco aquela palestra de Ram Dass publicada aqui sob o título “A mente tem medo que o coração entregue tudo” enfatiza como a paz interior e a sabedoria não é uma tarefa restrita da mente, pelo contrário, só é alcançada quando o coração se abre e as emoções entram em harmonia e plenitude. O livro “Gestos de Equilíbrio” pode ser adquirido na loja da Editora Dharma.

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Abrindo o Coração
Por Tarthang Tulku

“Se nossos corações estão abertos, toda a existência parece naturalmente bela e harmoniosa. Isto não é apenas mais uma fantasia – é possível ver ou sentir dessa maneira, e essa é a essência dos ensinamentos espirituais. O coração nos revela todos os conhecimentos. Por que o coração e não a mente? Porque o nosso ego controla a nossa cabeça, e os nossos corações são muito mais livres.

Quando os nossos corações estão abertos, nenhum problema é demasiado grande. Ainda quer percamos nossas posses e nossos amigos e fiquemos sós, sem ninguém para nos amparar ou para nos orientar, podemos encontrar sustentação em nossos sentimentos mais profundos, nosso silêncio interior. Utilizando nossos recursos interiores, podemos enfrentar com mais facilidade situações emocionais e intelectuais porque já não estamos envolvidos no drama que se desenrola à nossa volta. Ainda que tenhamos de enfrentar a morte, podemos permanecer cheios de paz, calmos e equilibrados.

Precisamos, portanto, encorajar nossos sentimentos calorosos e positivos. Esse calor não é uma emoção superficial ou sentimental – não é o tipo de emoção que leva ao desequilíbrio e cria freqüentemente o “pânico” em lugar da calma. É uma autêntica abertura que sentimos como um calor profundo no centro do coração, que é o nosso santuário interior, o nosso próprio lar.

É no centro do coração que nossa natureza interior cresce até alcançar a plenitude. Depois que o centro do coração se abre, todos os bloqueios se dissolvem e um espírito ou intuição se difunde por todo o corpo, de modo que todo o nosso ser se põe a viver. A esse “espírito” dá-se, por vezes, o nome de essência da energia humana ou essência da verdade. Seja qual for o nome que se lhe dê, se não nos deixarmos impregnar por ele, o nosso corpo pode estar ativo, mas nosso coração permanecerá fechado. Somos estranhos a nós mesmos.

Quando nos tornamos capazes de integrar nossa mente com nosso coração e nossas ações com nossas intuições, encontramos um significado genuíno em nossa vida. Nossas dificuldades emocionais e nossos problemas diminuem automaticamente e descobrimos inspiração, insight, motivação e força. Tornamo-nos naturalmente autonutrientes, automotivadores e autoconfiantes. Por conseguinte, reparemos no que está acontecendo em nossos corações. Esta é uma preparação essencial para aprender a verdade da nossa própria vida”.

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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

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