O perigo do elogio: “Você deve ser realmente inteligente”

Elogiar é bom ou ruim? Joshua Zucker, um professor de matemática da Castilleja School, em Palo Alto (EUA), diz que nao existe exatamente um problema com o elogio, mas com elogiar a inteligência de alguém. “Esse tipo de elogio eventualmente vai lhe prejudicar”, diz ele à coluna Wordplay, do The New York Times (Numberplay: The Danger of Praise). Para justificar sua afirmação, ele cita um experimento que considera seu favorito:

“Algumas crianças recebem problemas de matemática razoavelmente fáceis. No final, à metade das crianças é dito, “Você deve ser realmente inteligente“. À outra metade foi dito, “Você deve ter trabalhado duro“. Então é dado outro conjunto de problemas. Esses são um pouco mais difíceis. As crianças que inicialmente ouviram que era inteligentes foram muito mal. Claro. “Oh! Não consigo fazer esses. Não devo ser tão inteligente assim”. Eles travam e terminam com um desempenho péssimo.

As crianças que deram duro tiveram uma reação oposta. “Uau. Esses são difíceis. Mas se eu trabalhar duro, talvez eu consiga resolver esses também”. E então eles resolveram.

Houve uma diferença imensamente significante de performance. Tudo por causa de cinco palavras. “Você deve ser realmente inteligente”. Uma frase de cinco palavras. Uma vez.

As escolas entendem isso ao contrário. As crianças são ensinadas da maneira oposta. Dizem a elas que são inteligentes. Elas pensam que isso significa que elas deveriam entender tudo certo de primeira. Mas elas não entendem. E em algum momento elas param de resolver os problemas.”

Lendo essa história, acho impressionante como damos alto valor ao que nos é dito. Há dois anos publiquei aqui um post que falava de um experimento bem parecido, só que sem elogio: “Aula de falta de confiança adquirida“. Uma sala de aula também foi dividida em dois, só que ao invés de elogio, foi dado um teste fácil para uma metade e outro difícil para a outra metade. No post tem um vídeo que mostra perfeitamente a reação que os estudantes tem, só por captarem as reações “adversas” externas.

Talvez, por isso, aconteçam vídeos como o da Sadie, “You can do anything“. Ela parece saber, intuitivamente, que dizer algo encorajador é importante, serve para balancear algo que ela deve ter visto em alguma sala de aula. Talvez alguém tentando resolver um problema de matemática depois de ter sido elogiado.