O não-dark side da Apple de Steve Jobs

A Wired publicou uma série de matérias tentando explicar como funciona o “dark side” da AppleBreaking the Rules: Apple Succeeds By Defying 5 Core Valley Principles, How Apple Got Everything Right By Doing Everything Wrong, Management Techniques From the Dark Side – ou melhor, como a Apple consegue ser tão bem-sucedida indo contra tendências modernas de desenvolvimento de serviços, produtos e empresas.

Tem até uma brincadeirinha com Fake Steve Jobs.

Não conheço a Apple como a Wired, mas até onde sei me parece que ela é bem sucedida porque, apesar dos métodos não muito aplaudidos, ela é comandada por Steve Jobs, que é um profissional brilhante. É uma cultura fechada top-down que dá certo porque o cara que tá no topo da pirâmide é o faraó, o sacerdote e o escriba-mor, e tem a clarevidência de um Rá da tecnologia. Sem ele não existiria iPod, nem iPhone, nem Macbook, nem Air, nem o que virá.

E, ao contrário do que a estratégia iTunes e de seus recentes problemas de marketing e hardware dão a entender, a Apple essencialmente não é uma empresa do dark side. Aposto que vai enfrentar problemas a longo prazo com o Android e outros produtos mais abertos e estrategicamente integrados, mas o que ela oferece têm sempre uma característica de clareza e facilidade que beneficiam o entendimento, a produtividade e o bem-estar, coisas que dão sentido benéfico à tecnologia. A empresa consegue 1) ser muito ágil na criação e lançamento de seus produtos, meta tão perseguida em Sillicon Valley e que justamente criou parte dos métodos e características da web2.0, e ainda assim 2) têm uma cultura de lançar produtos inacabados, prontos para receberem upgrades consecutivos, 3) agora terão relativa colaboração (controlada, no Apple Touch) e, obviamente, 4) tem produtos que superam de longe seus pares nascidos no Sillicon Valley, entre eles o melhor smartphone do mercado em experiência de uso e acesso à Internet, e o primeiro notebook focado em leveza e era móvel, que se atreveu sair à rua sem drive de DVD e apenas 1 USB.

Consigo ver a influência do lado budista de Steve Jobs nesses produtos mais recentes da Apple, que têm quase uma característica meditativa, de brancura, foco e tranquilidade. A Apple é zen – e o zen, como Jobs, é rigoroso, atento aos detalhes e têm a “jóia perfeita” como seu mantra principal. E o guru, na hora de difundir o dharma, veste preto.

Update: Vale a pena ler o post do Antonio Carlos, gerente de WebMedia da Globo.com, sobre a metodologia da Apple e a do Google em perspectiva – Jeito Google e Jeito Apple de desenvolver produtos.