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Fora voto da *lista fechada*

Nunca fui de votar em branco ou votar nulo, acho isso um desperdício de democracia, uma omissão do “Brasil do possível”. Mas se esse voto de lista fechada for aprovado, eu serei o primeiro a fazer campanha por nulo ou branco. Porque se eu aprovar isso, será como, parafraseando um presidente aí, “assinar um cheque em branco para o Roberto Jefferson”. Eu posso ser ingênuo, mas não sou idiota. FORA VOTO DA LISTA FECHADA!

E deixa eu aproveitar pra dizer que, além da lista individual, seria maravilhoso se o voto de bancada no Congresso fosse extinto e se todas as votações fossem abertas e transmitidas em tempo real para todos os veículos de mídia possíveis. Pronto, falei.

A ba$e de apoio do governo não parece disposta a cassar a turma do mensalão. Se ninguém se mexer, vão cassar o direito dos eleitores de mandar para a Câmara os candidatos de sua escolha. Nunca é demais repetir: a tal de “lista fechada” ou “voto de lista” proposto na reforma política destina-se a fazer com que a patuléia vote numa lista organizada pelo partido. E quem faz a lista? Companheiros como José Dirceu no PT e Roberto Jefferson no PTB. Exagero? Tudo bem, as listas serão conhecidas antes da votação e os partidos haverão de montá-las democraticamente. No PT opinarão, entre outros, o secretário-geral, Sílvio Pereira, e o tesoureiro, Delúbio Soares. No PL o interminável Valdemar Costa Neto.
~ Elio Gaspari, coluna de hoje n’O Globo