aloha Pedro!

deixa eu usar outro espelho, não um espelho pro argumento, mas um espelho pro Brasil (sem janelas, só o espelho): o Brasil não é charco nem é lagoa. e eu não vou definir o Brasil por Lula, por FHC ou por qualquer outro político (pq se dá tanta importância a eles, afinal? socorro! - vamos atrelar nossa imagem nacional eternamente a eles? tô fora).

[ fico pensando de que adianta uma classe dominante do pensamento (nós, que temos escolaridade e internet) ficarmos bolando teses de identidade nacional. de que adianta às dezenas de milhões que não teorizam? talvez uma prática de desidentidade possa fazer coisa melhor. ]

anyway, nem charco nem lagoa, quero explicar. isso é tudo lixo subconsciente, gavetas de memória, ou lixo consciente mesmo (descarado, muitas vezes). quando nós nos comparamos a quem quer que seja, saímos com essas teses de charco e lagoa. daí só sai decepção, orgulho e ilusão baseada em julgamentos de valor relativos (eu acho a burocracia brasileira uma merda comparada à dos estados unidos, mas um alívio de primeiro mundo se comparada à da Índia, e aí?).

o Brasil é o Brasil quando não se compara. quando simplesmente é. e aí vai ter charcos gigantescos e latifúndios de lagoas. depende de quem, depende de onde. o problema da análise do clóvis e do teu contraponto não é o charco nem a lagoa, é o QUERER SER. ou o *que queria ser*. nós não queremos ou não devemos querer ser nada, devemos apenas ser. e melhorar, ir pra frente, isso é parte da natureza humana individual e coletiva, faz parte da longa caminhada do universo.

se sentimos coceira para ter a simplicidade da burocracia americana para ser abrir um micro-negócio, por exemplo, é pq alguma necessidade de simplificação nós temos e/ou precisamos. só isso. ninguém precisa aparecer com um artigo pra esculhambar o país pq ele não é simples como os estados unidos, nem precisa de nenhuma réplica pra esculhambar e dizer que o país é muito maior que uma visão wannabe importada.

na nossa caminhada de ser quem somos, vamos atravessar muitos charcos e muitas lagoas. o exercício de síntese dessas teses (alô dialética!) é parar de criar teses e mais teses e simplesmente ser, na prática. não que as teses não sejam boas e/ou úteis, mas é que elas não estão realmente ajudando nem na teoria nem na prática. menos querer ser e mais ser, mais aceitar. acho que é por aí.

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Menos *querer ser*

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