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Ray, 10/10

Ray é o filme do ano. O quê? O Oscar pode fazer sensacionalismo e eu não posso? Com licença. E explico. Pra começar, Ray não tem explosões, mas é cinematograficamente lindo, apropriado e justo; tem um ator, Jamie Foxx, em inspiração divina como poucas vezes se viu no cinema; tem um história real épica (urgente) sendo revelada de uma maneira redonda (direção), proporcional (roteiro) e viva (luz própria), e tem o timing do último suspiro de Ray Charles Robinson, que nos deixou ano passado e elevou sincrodestinamente essa obra à categoria de filme do ano. Ray Charles é o herói que os americanos poderiam ver melhor e premiar à altura (não só os americanos, logicamente). Uma história das dificuldades pessoais e sociais de um dos maiores músicos do século, uma trajetória de solidão e angústia que nos faz querer trazê-lo de volta à vida para dar-lhe a mão na hora de encontrar um banheiro ou poder ficar com ele quando todo mundo o considerava uma inconveniência. Ray é uma lição de vibração pessoal musical e de fidelidade a princípios que sobreviveram em meio ao caos de uma escuridão que poucas vezes entendemos tão bem. O filme acaba, mas a lágrima continua, porque o filme não tem fim, não é ficção, Ray faz parte da nossa vida. Isso é arte. Que merece prêmio.