Magia, Miragem, Garrincha
Todas as 60 mil pessoas, sem exceção, inclusive o vendedor de cachorro quente das barracas de cima das cadeiras, ficaram pasmos com a estátua que estava entrando no estádio pelos céus. Quatro aviões da FAB traziam pendurada por múltiplos cabos de aço uma estátua cuja altura era o dobro do Maracanã. O dobro do Maracanã! (imagina a visão de fora, de quem chega do Rio de avião, por exemplo). Uma coisa assombrosa, um negócio realmente absoflaxshmalkte phota#blon!tz@e (foi o que entendi da boca do sujeito à minha frente). Todas as emissoras filmaram. Ia dar mais o que falar do que a Estátua da Liberdade, lógico. Quando a estátua tocou o gramado, e passou o medo das cordas arrebentarem, as pessoas viram como era bonita, feita numa pedra brilhosa, com riqueza de detalhes, excepcionalmente bem-feita. E era realmente muito grande. Quem seria capaz de esculpir uma coisa tão perfeita e gigantesca como essas? Era brasileiro esse artista? Devia ser. A estátua era de Manuel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha, o maior artista do futebol de todos os tempos. Nem Pelé teve uma dessas. Beleza e assombro mantinham a maior parte do público em silêncio, observando arregalados à surpresa do gigante monumento, talvez a esperar algum anúncio triunfal pelos alto-falantes.
Foi quando, de repente, um dos torcedores gritou escandalosamente no meio da arquibancada, um grito intraduzível de alegria delirante, pulando insano em rodopios. O povo todo acompanhou, criando um urro coletivo de arrepiar até dragão de sete cabeças. Um ensurdecedor e continental “olé” em uníssono, com o poder estremecedor de mil surdos direto ao coração. 60 mil berros nucleares.
O camisa 10 era o autor de tamanha obra de arte. Parado, com a bola colada no pé esquerdo em tom de desafio jocoso, ele ergueu a estátua sozinho ao driblar os mesmos dois jogadores duas vezes e ainda sair livre com a bola para chutá-la ao gol. Que jogada! Que monumento!! É um pássaro? É um avião?
A estátua de Manuel Francisco dos Santos, o Garrincha, foi erguida por Felipe Jorge Loureiro, o Felipe, na tarde de anteontem no Maracanã, enquanto, em plano de fundo, jogavam Flamengo e Vasco pela decisão do Campeonato Carioca. Durante várias vezes Felipe parou em campo com a bola nos pés e lembrou muito o craque do Botafogo e da Seleção Brasileira. Mas durante uma jogada em especial ele foi o próprio Garrincha, oferecendo uma homenagem aos deuses do olimpo do futebol em pleno santo domingo no Rio, trazendo a alegria e a beleza originais que jorram da fonte da arte humana na Terra.
COMENTÁRIOS / 2 NOVAS MSGS
Nessa added these pithy words on Apr 13 04 at 3:04 pmihhh… tô por fora…
:)COMMENT:
belo texto…e o Felipe é foda ! ! !
Lello added these pithy words on Apr 14 04 at 12:04 amPoxa, legal tava na hora de um texto sobre o Mengão e Felipe. O Felipe ta mesmo matando a pau no Flamengo, ele mostrou q nao quer mais saber de nada do vasco, e que sua pele é rubro-negra. O cara ta driblando demais, nunca ele jogou tao bem em sua carreira, a camisa rubro-negra tem forças mesmo
Domingo tem Flamengo x Vasco, Mengão Campeao Carioca, e Mané Felipe , ou o guarricha do futuro em campo.Vamos esperar a decisão
abraços a todos
Lello
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