Adeus, Lênin!. Vamos cortar as estrofes e ir direto ao refrão: o filme não foi sobre isso, e acho que nem teve a intenção de provocar tal sensação, mas eu achei muito bonito o momento em que o personagem Alex Kerner corrompe a história e narra a abertura da Alemanha Oriental como se fosse um triunfo do Socialismo (e olha que eu nunca fui assim, um comunista). Por um instante, voltei a pensar utopicamente. E entusiasmadamente. É uma passagem não apenas utópica e nostálgica, mas reflexiva e contemporânea - como teria sido se a derrota do Socialismo não tivesse sido assim, com apenas uma abertura? como teria sido se o Socialismo tivesse vencido? o que estamos perdendo? A certa altura da “obra-prima cinematográfica” do amigo e locutor de falso telejornal Denis, o off reporta que “os ocidentais não encontraram felicidade nas casas e carros que compraram do capitalismo e estavam pulando o muro para se refugiar no lado oriental”. Qualquer semelhança com a realidade atual é mera coincidência. Mas, enfim, o filme não sustentou essa beleza utópica durante sua maior parte, ainda que a “farsa” de Alex tenha sido bem imaginada e bem-feita - engraçada e dramática. Apesar de não ser sobre a II Guerra (e nesse ponto, muito mais interessante), me lembrou as histórias de A Vida é Bela e o magistral Trem da Vida. No fim, nem tudo deu certo, mas valeu a pena.

COMENTÁRIOS / 1 NOVA MSG

Nando, ainda nao vi esse filme, mas ele esta na minha lista.

uma coisa interessante, sobre isso que voce colocou: outro dia, numa conversa com uma bulgara, ela me disse que muita gente [mas muita mesmo] la na Bulgaria nao gostou do final do comunismo e quer que o pais volte a ser como antes. eles querem a protecao do estado, nao querem o fardo de serem responsaveis por um monte de coisas, que antes eles nao precisavam se preocupar, que nao saia do bolso deles [saude, escola, por ex]. vai ser necessario algumas geracoes ate que as pessoas mudem a mentalidade e se adaptem ao novo sistema.

e isso deve estar acontecendo em outros paises ex-comunistas. eu imagino!

bjao!

COMMENT:
Eu também tive essa impressão: ali foi o momento do sonho, do delírio mágico do filme, quando você entra na cabeça da mãe do Alex. Me lembro de ter lido na extinda revista DumDum um quadrinho na mesma linha, só que antevendo o que aconteceria se os militares houvessem perdido a guerrilha e o socialismo houvesse sido implantado no Brasil, com Brizola presidente. A sensação de euforia é imensa, e no final um general acorda: tinha sido tudo um pesadelo…

Fer added these pithy words on Mar 05 04 at 1:03 pm

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Adeus, Lênin!: 8/10


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