The Matrix. 1. Quando assisti a esse filme pela primeira vez, havia ficado a impressão de ser um tanto confuso, com um discurso pra justificar cenas de ação de primeira categoria. É, de fato, uma trama um pouco confusa, pq é naturalmente complexa, a metáfora que não é metáfora e sim parte integrante essencial do filme é delicada (independente do realizador), então não acho que havia muita saída se não dar umas na trave, ainda mais quando se tem preocupações sérias no gênero de ação. Em X2 a metáfora é básica e redonda, além de andar independente do filme. Em Fight Club ela é mais bem costurada e consistente, pois o discurso é mais simples. Em Matrix ela é espiritualista (”samsara”, “maya”, dos Vedas, do Budismo, do Jainismo), mistura religiões com paralelos tecnológicos (além de citar os siddhas, a Internet e Jesus Cristo) e, no final, tem tanta ação e efeitos que a gente não sabe se a metáfora deveria ser levada tão a sério - mas foi, e é imprescindível que vc a entenda pra se sentir à vontade e curtir o melhor da obra. É um filme, sim, religioso, no significado mais original da palavra (do latim: re-ligare, o monismo). Mas se há sequências inteiras de diálogos intelectuais, há também, e muitas vezes em detrimento a estes (na minha opinião), algo que toma mais importância: a ação que soma arte marcial futurística (nesse ponto, bem mais empolgante e impressionante que “Crouching Tiger, Hidden Dragon”) e demonstração armamentista (Michael Moore deve ter se perguntado, “mas pq tanta arma?”, embora na metáfora das lutas quase tudo se justifique). Se vc puxar “Os Sete Samurais” pela memória, vai notar que as armas e a hypação das poses são conflitos com o discurso. Ou ainda talvez eu esteja levando a sério demais uma história que se pretendia como tal, mas no fim era apenas um bom gancho para uma ficção fantástica. O lance é que, ainda que bélico, se você sai do cinema querendo ser Neo, terá que se perguntar primeiro: what is the Matrix? Sem esquecer que eu assisti ao filme duas vezes. Sequência obra-prima: a última, em que Neo “começa a acreditar”, remolda a realidade física e vê o samsara (de)codificado. Pra mim, Matrix vale pelo arrojo na execução de um discurso pretensioso e valioso, e pela vanguarda nos efeitos. Que venha Reloaded.
COMENTÁRIOS / 4 NOVAS MSGS
mario av added these pithy words on May 22 03 at 4:31 pmNa revista Herói deste mês saiu um texto meu que analisa uma por uma as referências budistas no Matrix 1. Infelizmente, o texto saiu mutilado (novidade), então devo postar em breve o original completo.
Nessa added these pithy words on May 22 03 at 8:05 pmhum… quando vi o Matrix (1º), fiz várias comparações com outras coisas da realidade. um dos pontos q mais gostei no filme é a questão de “vivermos numa ilusão”. muitas vezes eu pensei isso, principalmente num certo período da minha vida (qdo eu tinha q fazer longas viagens de metrô). eu achava, agora não acho mais, isso meio maluco. aí, de repente, veio Matrix e tratou exatamente do que eu pensava, dessa questão da ilusão.
nando added these pithy words on May 22 03 at 8:41 pma gente vive.
nem todos, mas a maioria.
já se sabe isso há milênios.
vide todas as citações budistas.
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