Luis Antônio Giron escreve artigo sobre blogs na Bravo deste mês e o trecho que reproduzo abaixo foi originalmente publicado na coluna de Cacau Menezes, aqui de SC. Embora àspero e unblogger, tendo a concordar com Giron em várias asserções - principalmente quanto à ética e ao amadorismo.
“Como tecnologia acessível, as páginas pessoais na Internet crescem como canal de livre expressão, pessoal e noticiosa. Tornou-se famosa a blague do magnata da mídia Assis Chateaubriand, o Chatô, que costumava ralhar com seus empregados: ‘Quem quer ter opinião que compre um jornal!’ Hoje, quem quer ter opinião só precisa ‘postar’ um blog na Internet.
(…) Tecnicamente, o blog, instrumento público, transforma qualquer usuário da Internet em emissor de idéias, em ‘blogueiro’, como se diz no jargão internético local, ou ‘blogger’, na expressão consagrada em inglês. Há dezenas de sites que fornecem, gratuitamente, espaços para blogs. É fácil deduzir as conseqüências da facilidade: proliferam blogs como baratas Internet adentro, alguns deles com cérebro de insetos. Outros atuam feito bombas de dissuasão/persuasão. (…)
A blague do blog é que, a despeito de seu amadorismo fragmentário, ele está balançando as estruturas da imprensa. De um salto, os blogs grudaram as ventosas na jugular do quarto poder, sugando seu sangue e sujando seu nome. Isso porque o assunto favorito dos blogueiros tem sido a mídia. Blogs são ‘fantasy shows’ contra a imprensa.
A exemplo do Naspter, que livrou a música do CD e quebrou o show business, os blogs provocam a metástase das palavras e podem levar a mídia à bancarrota. Jamais a especularização da informação foi tão anarquizada quanto com o advento do blog. A curiosidade do internauta não resiste. A blogagem triunfa porque chamou a atenção da imprensa - ela própria feitora de blogs às ocultas em redações. E pensar que os blogs começaram como esconderijo de adolescentes onanistas nos idos de 1994…
(…) Embaralham expressão, opinião e diálogo. Blogs perigam degenerar em monólogos lunáticos. Reclama-se da ausência de ética de alguns. Mas, talvez, o que mais lhes falte é talento. Há os que se ocultam em aliases, como as garotas ousadas dos anos 90, para destilar verrinas. Protegem-se no anonimato, causando distorções, pois há os que usam a máscara para enxovalhar a vizinhança. São centenas os blogs intrusivos dedicados a tal fim - e os mais visitados. Existe, porém, uma maioria de blogs responsáveis. Jornalistas blogaram porque viram sua seara sofrer concorrência nerd, para não falar da crise na profissão.”
COMENTÁRIOS / 8 NOVAS MSGS
Rafael Lima added these pithy words on Sep 04 02 at 8:58 amAchei que o Giron bobeu nesse trecho aqui:
“[...] blogs grudaram as ventosas na jugular do quarto poder, sugando seu sangue e sujando seu nome. [...] Blogs são ‘fantasy shows’ contra a imprensa. A exemplo do Naspter, que livrou a música do CD e quebrou o show business, os blogs provocam a metástase das palavras e podem levar a mídia à bancarrota. Jamais a especularização da informação foi tão anarquizada quanto com o advento do blog [...]”
Blogs não estão aí _contra_ a imprensa, funcionam em paralelo, aumentando a interatividade: é mais difícil uma “barriga” ficar por isso mesmo, hoje. Cabe a cada leitor selecionar o que vai ler. Isso me soa a medalhão vendo seu emprego ameaçado.
nando added these pithy words on Sep 04 02 at 9:09 amdramatização (desnecessária) que acaba se anulando pelo exagero. boa observação.
nando added these pithy words on Sep 04 02 at 9:10 amsem nos esquecermos que esses são apenas trechos, ainda que ásperos e dramatizados, de um contexto um pouco maior. há que se ler o artigo completo.
Nessa added these pithy words on Sep 04 02 at 4:38 pmQuase todos os artigos sobre blogs são dramáticos demais! Argh!
Dauro added these pithy words on Sep 04 02 at 5:10 pmBlogs são isso, blogs são aquilo. Hmm… PODEM ser.
mario av added these pithy words on Sep 06 02 at 12:08 amFiquei frustrado. Ele faz a crítica certa com argumentos errados, comentendo EXATAMENTE o mesmo tipo de erro que pretende combater nos que são menos “profissionais” que ele (sim, porque isso é implícito no texto).
Recado ao sr. Giron: hype não se combate com hype.
Segundo recado: liberdade de expressão só é boa quando concordam com a gente?
nando added these pithy words on Sep 06 02 at 9:15 amnão há que se ficar frustrado, é apenas a opinião de um jornalista, ainda que dos melhores, mas que não conhece a realidade que fala - e não é uma pesquisa de fim-de-semana que resolve o problema. ele exagerou, é óbvio, but whatta hell? phoda-se. :)
mario av added these pithy words on Sep 06 02 at 10:29 pmEntenda, nando: frustrado por ter esperado demais do cara. Esse artigo, repito, diz coisas certas falando muita merda. A teoria da dor-de-cotovelo do Rafael se encaixa ali.
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