_ Dharmapod #3: Bem-vindo ao novo
Um é pouco, dois também é pouco, três já começa a melhorar! A terceira edição do Dharmapod, o podcast do Dharmalog, está no ar - link direto m4a. “Bem-vindo ao novo” é o título, homenagem à característica neofílica desta edição (neo, novo, nouveau, neu, nuevo, niew), só com sons novos, de artistas novos ou conhecidos, pois, como diria Paulinho da Viola, “meu tempo é agora”. Este Dharmapod é a “playlist of Neocracy“, numa alusão ao TheSixtyOne, “the playlist of democracy”, um dos melhores novos sites de música da Internet que traz diversos artistas e músicas novas de todo o mundo pra gente, e também pro Dharmapod - incluindo, nesta edição, a banda japonesa Hidari, o ótimo pop alternativo do “Two Loons for Tea” e o novo single do The Dandy Warhols. Mesmo o que veio de fora do 61 é super-novo: “Supernatural Superious”, do novo disco do REM, “Love is Free”, do novo da Sheryl Crow, “Falling Slowly”, da trilha sonora de “Once“, e muitas outros sons. Bem-vindo ao novo: toca o play!
Como não tem comentários no podcast, depois de ouvir dá uma passada aqui e deixe seu feedback. As Organizações Dharmalog agradecem sua ligação. 8)
_ Locale e os 50 finalistas do Android Dev
Assim como o City Skillers e o RouteMe2, o Locale é um dos 50 finalistas do Android Developer Challenge, desafio da plataforma mobile do Google e da Open Alliance Handset Project. O Locale (ainda sem link) é um aplicativo de quatro estudantes do MIT que gerencia as configurações do celular. Só que faz isso automaticamente e baseado no local onde você tá. Assim, como eles exemplificam, o celular “pode mudar de ringtone para vibracall quando você entra no escritório, ou redireciona as ligações para o telefone fixo se você estiver em casa”. Há aplicativos óbvios e alguns com descrição insuficiente, mas é importante notar que todos os apps poderão rodar nos celulares com Android, e esse desafio é apenas uma maneira de incentivar o desenvolvimento baseado em prêmios em dinheiro. Entre os lemas do Android estão lá “open” e “all apps equal”.
Navegando entre os 50 finalistas do ADC aparentemente encontrei um brasileiro: Teradesk (de Salvador, BA), que enviou um aplicativo, pela descrição, parecido com o Dropbox, mas mobile. Há um showcase aqui.
_ Friend Connect, primeiras impressões
O Google lançou na segunda (12) à noite o Friend Connect (beta), uma iniciativa dirigida a quem possui sites e participa de redes sociais que permite entrelaçar de modo fácil e significativo praticamente todas as suas publicações e atividades sociais realizadas em quaisquer sites existentes na Internet (e conectados à iniciativa) no seu próprio site. O principal ponto aparente é atrair mais usuários para esses sites (”Google Friend Connect lets you grow traffic by easily adding social features to your website“), mas se eu entendi bem e depois de uma breve experiência num dos sites-exemplo acredito que a potência desse serviço é (bem) maior. O serviço é apresentado como produto de auxílio a websites, como um Google Analytics, mas deve ser um dos braços principais do OpenSocial (de quem o Friend Connect já herda funcionalidades) e ainda pode ir além, ajudando a transformar site ilhados em bons conectores sociais, impulsionando as conexões pessoais baseadas em contextos e transformando links frios em colaborações ativas. Alguns sites e serviços já fazem isso, é verdade, mas nenhum deles é uma iniciativa aberta universalista, com capacidade para abranger quaisquer conteúdos (igualmente abertos e universalistas).
Por exemplo, no site da Ingrid Michaelson (imagem acima), é possível se logar, deixar mensagens no Message Board e dar “iLike” nas músicas individualmente. Ok, até aí nenhuma novidade. A diferença está na comunicação com o site original, com suas redes sociais e com seus amigos de qualquer rede social. Nas configurações da conta, você pode conectar seu login ao Facebook, Orkut, Gtalk e Hi5. Teoricamente, quando eu faço qualquer coisa neste site qualquer uma dessas quatro redes sociais (e futuros sites também) receberão a informação e publicarão dentre minhas atividades, mas, na prática, por enquanto, apenas o Orkut faz isso. Teoricamente, também, quando eu clico em “iLike” numa música o badge deveria enviar a informação para ser computada em iLike.com, mas isso não foi feito desta vez. Talvez por ainda ser beta, talvez por falha do badge (o Google não controla suas funcionalidades) ou talvez porque não haja, ainda, uma instância para eu cruzar meu login no Friend Connect com o site do iLike. Se houver essa conexão no futuro planejado do Friend Connect, aí tudo bem, significa que eu entendi o serviço. Do contrário, será uma falha tão capital que não vejo o Google deixando passar em branco.
Pelo que vi, o serviço funcionando 100% tem um pouco de data portability, mas é mais uma espécie de “open push socialcasting“.
De qualquer maneira, as primeiras impressões são muito limitadas, primeiro porque se restringe a experimentar como usuário externo (e não como dono de site), e segundo porque há poucos tipos de badges disponíveis e eles mesmos têm suas limitações evidentes. Além do que, o próprio serviço está em beta, então eu realmente me apressei, porque durante algum tempo trabalhei muito perto de social network e senti que o Friend Connect é uma boa iniciativa, apesar dos diversos problemas de informação e uso. Em breve, podendo usar o serviço como autor de site, poderei ter uma impressão mais acurada.
Alguns dos pontos positivos nessas primeiras impressões:
• Todo site pode virar um mini-dashboard de rede social, podendo ter as atividades não somente suas, mas de todos os conectados por aquele “assunto”;
• Todo site pode virar um “sugeridor” de novos amigos e novos sites relacionados (o que hoje o Facebook tem como “people you may know”, por exemplo, poderiam estar também nos sites que usam Friend Connect);
• Sua rede de amigos fica portátil para qualquer contexto (que tenha um site conectado), e você escolhe qual nível quer convidar;
• Os badges viram links realmente sociais, interativos e inter-conectados não só aos seus sites originais, mas à todas as pessoas e redes potenciais;
• Os sites pessoais voltariam a ter tanto ou mais poder de atrair a atenção, fazendo de fato o que os linkbacks tentaram (e ainda tentam) por contexto, e estendendo o alcance das redes sociais de uma maneira menos estática;
• Diferentemente dos dashboards das redes sociais, esses badges de intercomunicação entre sites podem levar todo o conteúdo (como se fosse o “feed completo”) das atividades, e não somente chamadas genéricas ou teasers;
• Demonstra como a Web flui melhor quando é inerentemente aberta, livre e… “interconectada” (doh!);
• O Friend Connect pode resolver a promessa de muitos serviços que pretendem trazer os comentários que você faz em outros sites para o seu próprio site;
• Enfraquece parte do conceito de sites de redes sociais “per se” e fortalece os sites individuais ou pessoais que estão conectados a elas;
• Ele é a solidicação no frontend do mesmo objetivo que permeia a web semântica, e reforça sua necessidade;
• Não depende de nenhuma conexão ou compatibilidade especial dos sites, basta a inserção do código pelo dono do site, e a adesão das redes sociais.
• Não depende da construção da popularidade para ser eficiente e dar certo, pois ele apenas conecta instâncias já existentes.
• Transfere parcialmente o poder de publicação das atividades nos sites pessoais aos visitantes colaboradores e não ao somente autor do site (é a regra das redes sociais);
• Transfere os conteúdos colaborativos e sociais para as nuvens.Alguns pontos fracos:
• Depende das pessoas se conectarem e permitirem os acessos cruzados das suas atividades;
• Esbarra na usabilidade dos badges, que não são construídos nem padronizados pelo Google;
• Esbarra na usabilidade da interação dos badges com as páginas em que estão inseridos, principalmente nas questões das navegações entre páginas, refresh e interface visual (mas podem aparecer inúmeros outros problemas);
• Os dados não são trocados por APIs, mas por iFrames, o que não configura exatamente data portability;
• Não vi onde foram parar minhas atividades e informações (além do site em que publiquei), talvez tenha que ter um repositório para controle e edição?;
• A falta de estruturação dos dados e de controle das atividades de cada pessoa pode ser um fator individual letal para o serviço;
• Há que se analisar o efeito dos “invites” em grande volume, e se eles chegarão como “request web” (como é o padrão da maioria das redes sociais) ou por email;
• Talvez haja algum tilt nos apps do Friend Connect e os comentários dos blogs, que não são tão sociais (mesmo os com pingback);
• Justamente por aumentar o poder das nuvens, vários conteúdos poderão “desaparecer” pelo comando individual das pessoas que colaboram nos sites, afetando vários instâncias dos sites pessoais e fora do poder dos seus donos.P.S.: Robert Scoble e Marc Andreesen têm posts interessantes sobre o Friend Connect.
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